Conhecimento Empírico | A Herança De Qualquer Geração15 min read


Também chamado de popular ou vulgar, conhecimento empírico é o conhecimento adquirido no cotidiano, através de conclusões baseadas em experiências vividas ou presenciadas.

Esse tipo de conhecimento faz parte da tradição de uma sociedade, passando de geração em geração, não havendo aplicação de métodos ou reflexões, portanto, não necessitando de comprovação científica, mas nem por isso deve ser ignorado já que se constitui da base do conhecimento servindo de embasamento para o conhecimento científico.

É o modo comum, corrente e espontâneo de conhecer, que se adquire no trato direto com as coisas e os seres humanos, as informações são assimiladas por tradição, experiências causais, ingênuas.

O conhecimento empírico é caracterizado pela aceitação passiva, sendo mais sujeito ao erro nas deduções e prognósticos. É o saber que preenche nossa vida diária e que se possui sem o haver procurado, sem aplicação de método e sem se haver refletido sobre algo.

O homem, ciente de suas ações e do seu contexto, apropria-se de experiências próprias e alheias acumuladas no decorrer do tempo, obtendo conclusões sobre a “razão de ser das coisas”. É, portanto superficial, sensitivo, subjetivo, assistemático e acrítico.

A realidade é tão complexa que o homem, para apropriar-se dela, teve de aceitar diferentes tipos de conhecimento. Desde a Antiguidade, até os dias de hoje, um lavrador, mesmo iletrado e/ou desprovido de outros conhecimentos, sabe o momento certo da semeadura, a época da colheita ou tipo de solo adequado para diferentes culturas.

Todos são exemplos do conhecimento empírico que é acumulado pelo homem, na sua interação com a natureza. O Conhecimento faz do ser humano um ser diverso dos demais, na medida em que lhe possibilita fugir da submissão à natureza.

A ação dos animais na natureza é biologicamente determinada, por mais sofisticadas que possam ser, por exemplo, a casa do joão-de-barro ou a organização de uma colmeia, pois isso leva em conta apenas a sobrevivência da espécie.

O homem atua na natureza não somente em relação às necessidades de sobrevivência, ou apenas de forma biologicamente determinada, mas se dá principalmente pela incorporação de experiências e conhecimentos produzidos e transmitidos de geração à geração, através da educação e da cultura.

Isso permite que a nova geração não volte ao ponto de partida da que a precedeu. Ao atuar, o homem imprime sua marca na natureza, torna-a humanizada.

E à medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades. Um dos melhores exemplos desta atuação são as cidades.

O Conhecimento só é perceptível através da existência de três elementos: o sujeito cognoscente (que conhece) o objeto (conhecido) e a imagem.

O sujeito é quem irá deter o conhecimento, o objeto é aquilo que será conhecido, e a imagem é a interpretação do objeto pelo sujeito.

Neste momento, o sujeito apropria-se, de certo modo do objeto. O conhecimento apresenta-se como uma transferência das propriedades do objeto para o sujeito.

O conhecimento leva o homem a apropriar-se da realidade e, ao mesmo tempo a penetrar nela. Essa posse confere-nos a grande vantagem de nos tornar mais aptos para a ação consciente.

A ignorância tolhe as possibilidades de avanço para melhor, mantém-nos prisioneiros das circunstâncias. O conhecimento tem o poder de transformar a opacidade da realidade em caminho iluminado, de tal forma que nos permite agir com certeza, segurança e precisão, com menos riscos e menos perigos.

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Características do Conhecimento Empírico

O conhecimento empírico ou senso comum, é composto pelas crenças que todos os membros de uma comunidade compartilham e são considerados verdadeiros, lógicos, prudentes e válidos.

Desta forma, pode ser descrito como a capacidade inata dos seres humanos para fazer julgamentos sobre certos eventos de uma maneira razoável.

Uma vez construído, o conhecimento empírico pode ser transmitido, passando de uma geração para outra ao longo do tempo. É importante notar que esse conhecimento é natural para o homem.

Isto não requer nenhum estudo prévio ou preparação para ser adquirido. Nem é necessário usar qualquer método de verificação científica para garantir sua veracidade.

Também pode ser visto como uma ferramenta de entendimento mútuo entre os membros de uma sociedade, porque ao compartilhar o mesmo conhecimento sobre diferentes fenômenos, os indivíduos podem se relacionar de uma maneira melhor.

Possui determinadas características que o identificam, tais como:

Fazer julgamentos

O conhecimento empírico dá aos indivíduos que compõem uma comunidade certos parâmetros, limitações e precauções, o que lhes permite analisar e julgar facilmente em diversos contextos, que podem ser seguros ou simplesmente representados por situações sociais complicadas.

Por essa razão, diz-se que o conhecimento empírico estabelece ou preenche os parâmetros com os quais uma situação ou evento será julgado.

Habilidade natural

O conhecimento empírico não requer preparação prévia para ser recebido. Faz parte das sociedades e do cotidiano dos indivíduos. É construído durante a vida, na medida em que certas situações ocorrem.

Não requer nenhuma base teórica a ser constituída, mas sim a interação social entre as pessoas e a conservação de seu conteúdo ao longo do tempo.É por isso que muitas pessoas reconhecem nesse tipo de conhecimento um legado cultural que passa de uma geração para outra.

Difere de uma comunidade para outra

O conhecimento empírico é uma construção comunitária que ocorre dentro de um determinado contexto. Por essa razão, diferentes comunidades compartilham diferentes percepções do meio ambiente e, portanto, possuem um conhecimento ou senso comum diferente.

Isso porque o conhecimento popular é uma construção social, derivada das experiências e observações dos membros de uma comunidade.

Não requer análise prévia

Sendo altamente influenciado pela percepção, as respostas emitidas por ele ocorrem espontaneamente e não requerem análise profunda de nenhum assunto.

Isso porque o conhecimento empírico ajuda a percorrer um caminho mais curto, através do qual relacionamos tudo o que observamos com nossas experiências anteriores e tudo o que aprendemos em comunidade. Desta forma, podemos reagir quase imediatamente à presença de qualquer estímulo externo.

Tem uma base universal

Apesar de seu caráter único e heterogêneo entre diferentes comunidades, o conhecimento popular tem uma base universal. A maioria das pessoas consegue identificar comportamentos que não devem ocorrer, independentemente de onde estejam no mundo.

Um exemplo disso pode ser não roubar, não ficar numa via pública ou não fazer barulho em um setor residencial depois de certas horas à noite.

É superficial

Como eles não têm base científica, suas bases são geralmente superficiais. Ou seja, o conhecimento popular não se baseia em explicações e verificações lógicas, mas na percepção e nos julgamentos emitidos pelos seres humanos.

Para que algo seja considerado válido aos olhos do conhecimento empírico, é suficiente que dois ou mais indivíduos acreditem que seja verdade.

Exemplos de Conhecimento Empírico

As pessoas achavam que a Terra era plana e a Igreja ensinava isso como uma questão de doutrina. Veja outros exemplos:

  • O conhecimento popular nos permite avaliar se um lugar é seguro ou não

Isso ocorre porque todos os indivíduos internalizaram determinados códigos e informações que são fornecidos pelo ambiente e pela comunidade, enquanto crianças.

Quando nos deparamos com esses códigos em nosso ambiente, somos imediatamente capazes de associá-los ao que sabemos. Por esta razão, uma pessoa pode antecipar e prevenir uma situação perigosa, identificando e julgando certos comportamentos suspeitos em seu ambiente.

  • O significado de coisas diferentes muda de acordo com o conhecimento que as pessoas de uma comunidade têm em relação a elas

Por exemplo, uma vaca em determinados países pode ser identificada como fonte de alimento. Por outro lado, em outras partes do mundo, pode ser um ícone de culto religioso ou mesmo de um animal de estimação.

  • O papel das mulheres nas sociedades e suas limitações estão vinculadas ao conhecimento popular

Isso acontece porque existe a crença de que as mulheres são o sexo fraco, então elas recebem papéis e tarefas na medida de suas supostas habilidades.

O papel das mulheres em qualquer sociedade e o modo como sua identidade é definida está completamente atrelado ao conhecimento empírico ligado a todos os membros de uma sociedade.

Ao contrário do conhecimento científico, o popular não se concentra nas condições biológicas que tornam as mulheres um ser diferente dos homens.

Tabus

Pode-se dizer que este é um dos melhores exemplos de conhecimento empírico. Estes indicam o que as coisas devem ou não devem ser feitas na vida desde tenra idade. Por exemplo, as crianças não podem ver um corpo nu, porque é isso que dita o conhecimento popular.

No entanto, as razões pelas quais podemos ou não fazer algo, não são suficientemente claras ou lógicas. Por essa razão, pode-se dizer que o conhecimento popular sempre será altamente questionável.

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Conhecimento Científico vs. Conhecimento Empírico

A ciência, como um modo de pensar, possui muitas qualidades vitais para a verdadeira compreensão que o conhecimento empírico não possui.

Com base nas observações que fazemos, a ciência opera sob teorias, constantemente revisadas e verificadas por experimentos. Com base na validade requerida de que precisamos fazer julgamentos, a ciência testa suas próprias proposições, jogando fora as teorias que não se encaixam em nosso mundo.

A ciência também tem controles, ou formas de eliminar outras explicações que podem se encaixar em nossos preconceitos e intuições, mas não explica adequadamente os fenômenos.

A causação, por si só, crucial para a tomada de decisão e julgamento, só pode ser determinada com segurança através de métodos analíticos que o conhecimento empírico acredita envolver.

Por fim, a ciência exclui a metafísica. O conhecimento popular nos permite acreditar que fantasmas, duendes e anjos correm por todo o mundo, sendo agentes causais de eventos em nossas vidas.

A crença que os anjos curaram certa doença, por exemplo, faz parte do conhecimento empírico, visto pela ciência como uma suposição ignorante.

Teorias

Teorias constroem a empresa da ciência. Uma teoria é uma abstração que se aplica a uma variedade de circunstâncias, explicando relações e fenômenos, baseados em evidências objetivas.

Por exemplo, a evolução é uma teoria que se aplica a uma ampla gama de fenômenos, como a diversidade da vida, desenvolvimento, etc., e explica as observações de tais fenômenos, todos baseados em evidências. A gravidade também é uma teoria, explicando os fenômenos que observamos nas interações dos corpos com massa.

A ciência usa esquemas conceituais e estruturas teóricas construídas por meio de consistência interna que são testadas empiricamente. Os cientistas também percebem que estes são termos feitos pelo homem que podem ou não exibir uma relação próxima com a realidade.

O conhecimento empírico não tem estrutura para isso, é explicitamente subjetivo e está sujeito a todo tipo de vieses cognitivos. Não há necessidade de testes, replicação ou verificação quando você está raciocinando por si mesmo. Nenhuma verificação para você testar, nenhum ponto é revisado.

Teste / Verificação

Ao contrário do conhecimento popular ou intuição, a ciência sistematicamente e empiricamente testa teorias e hipóteses. Isso é importante quando visto sob a luz de que a pesquisa psicológica nos mostra que o modo padrão do processamento de informações humanas inclui o viés de confirmação.

A maioria das pessoas percebe intuitivamente ou seleciona ideias, crenças ou fatos que se encaixam dentro do que eles já supõem que o mundo seja e descartam o resto.

O raciocínio do conhecimento empírico não tem nenhum problema com a ideia de que o Sol circula pela Terra porque parece que sim. A ciência está livre de tais restrições.

Controle

A ciência controla possíveis fontes de influências externas. O senso comum não controla essas possibilidades e, portanto, as cadeias de causação e explicação se emaranham.

Ao tentar explicar um fenômeno, a ciência exclui rigorosamente os fatores que podem afetar um resultado, de modo que possa ter certeza de onde estão os relacionamentos reais. O senso comum não tem esse controle.

A pessoa que acredita que a lua cheia aumenta a taxa de criminalidade não controla essa hipótese. Sem controle, ela nunca verão que as estatísticas falam em contrário.

Correlação e Causação

A ciência procura sistematicamente e conscientemente relacionamentos reais apoiados por teoria e evidência. O conhecimento empírico, não.

O bom senso nos leva a acreditar que dar açúcar às crianças faz com que elas fiquem mais hiperativas. A ciência nos mostra que esse não é o caso.

Nós vemos possíveis correlações em todos os lugares, mas isso não significa muito se não podemos provar isso. Simplesmente parecer certo ou errado, para a ciência não é suficiente.

Quando usamos a ciência para estabelecer a causalidade, é para o aperfeiçoamento da sociedade. Durante muito tempo a indústria do tabaco nos fez acreditar que fumar não levou ao câncer de pulmão, é apenas uma correlação.

A ciência médica mostrou agora, inequivocamente, que fumar causa câncer de pulmão. O senso comum não poderia nos levar a essa conclusão. O senso comum não poderia intuir que a fumaça agride os pulmões ou que contém substâncias químicas nocivas.

Metafísica

A ciência exclui explicações metafísicas não testáveis. Aquilo que não pode ser observado, pelo menos tangencialmente ou testado, não interessa à ciência.

Fantasmas e duendes podem ser considerados as causas de muitos problemas, mas como não podem ser testados ou observados os torna, pelo menos cientificamente, inexistentes.

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Outros Tipos de Conhecimento

Existem quatro tipos de conhecimento: empírico, científico, teológico e filosófico. A diferença entre eles está em como os adquirimos.

  • Empírico

É o conhecimento popular, o que aprendemos a partir da nossa interação com  o mundo.

  • Científico

São informações e fatos comprovados pela ciência.

  • Filosófico

Surge a partir das reflexões que o ser humano faz em relação a questões subjetivas.

  • Teológico

É baseado na fé religiosa, acreditando que ela detém a verdade absoluta.

Conhecimento teológico

O conhecimento teológico ou teologia, consiste no estudo de Deus ou coisas relacionadas com a divindade. Não tenta questionar ou demonstrar com fatos sua existência, pois dá por certo, sendo essa sua premissa principal.

Sua palavra vem do grego “theos”, que significa Deus, e “logos”, que se traduz em estudo ou raciocínio.

Além disso, esses estudos são baseados no conceito de crença, que se refere ao estado mental em que uma pessoa está imersa quando tem algum conhecimento ou experiência de algo que pode ter vivido ou não.

Esse estado geralmente é muito subjetivo. Algumas das principais características que definem o conhecimento teológico é que ele não é terrestre, pois considera que a revelação que os crentes possuem não depende do homem, mas é dada por entidades divinas.

Além disso, é um estudo e conhecimento de valor, porque se baseia em diferentes normas e doutrinas que ao longo dos anos foram instituídas como questões sagradas.

Considera-se que o conhecimento teológico é sistemático, pois explica a origem, o sentido, a finalidade e o futuro do mundo criado, porque possui fundamentos divinos que o estabelecem.

Conhecimento filosófico

O conhecimento filosófico é um derivado da pesquisa, leitura, observação e análise de fenômenos. Deste modo, cabe a geração de novas ideias, produto da observação de eventos específicos e a análise de textos e conclusões dados por outros filósofos anteriormente na história.

O conhecimento filosófico é inerente à raça humana e deriva da observação de seu comportamento. Deste modo, diz-se que as ferramentas que um filósofo usa para produzir conhecimento são análise e crítica.

A análise permite ao filósofo compreender como ideias e raciocínios surgiram e se estruturaram. Desta forma, é possível identificar possíveis falhas e contradições presentes no discurso filosófico.

A crítica, por outro lado, torna possível refutar as falhas e contradições encontradas no raciocínio.Desta forma, é possível propor alternativas para superar essas diferenças.

A crítica é a maneira pela qual os filósofos abraçam os fenômenos de estudo de uma maneira geral, com o objetivo de compreender as relações que existem entre si e de poder emitir novos conhecimentos.

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